Texto escrito por Psic. Edilaine Baccarin Petenuci
Férias chegando e como a gente recebe essa notícia depende bastante da nossa realidade!
Se os pais trabalham a principal angústia é: quem vai cuidar dessas crianças?
Se ficam em casa: o que faço com todo esse tempo livre???
Férias são um período muito importante para a criança! É o momento de mudar de rotina, aproveitar o espaço da casa, e fazer as coisas sem aquela pressa toda habitual!
Sabemos que para quem trabalha fora, essa é uma conta que não fecha! As crianças têm muito mais dias de férias do que temos licença do trabalho, e nesse caso precisamos contar com redes de apoio, colônias de férias ou mesmo equilibrar home office com crianças em casa!
Na escolha de onde deixar nossos filhos, nosso critério principal são os valores dos quais não abrimos mão, sobretudo espaços que garantam a segurança e a integridade deles!
Alguns ajustes muitas vezes são necessários e aqui vale lançarmos mão do diálogo respeitoso e abrir mão do controle – ninguém cuida como a gente cuida, e é importante também para a criança receber outros tipos de cuidado!
Os principais desafios relatados pelas famílias são: tempo nas telas e alimentação!
Sobre as telas – conversem a respeito dos conteúdos permitidos e do tempo estimado de exposição. Nas férias é comum flexibilizarmos um pouco esse tempo e uma dica importante é preferir as telas da televisão e conteúdos de baixa estimulação. Prefira episódios de um desenho ou série, ou um filme à tarde com pipoca.
Evitem vídeos curtos e sequenciais, eles estimulam demais o cérebro, e após um tempo de exposição as crianças tendem a ficar mais irritadas e com dificuldade maior de se envolver em outras atividades.
Sobre a alimentação – tente negociar substituições saudáveis, evitando ultraprocessados. Uma conversa franca e que traga informação, contribui mais que a proibição! Lembrando que muitas vezes um pedaço de bolo de chocolate com afeto da vovó é uma experiência e tanto para acriança!
Para os que tem a possibilidade de ficar em casa com as crianças, gostaria de destacar aqui dois pontos:
Aproveitar o espaço da casa, sem as imposições da rotina já é uma grande experiência para a criança! Permitamos que vivam essa flexibilidade – de horários, de rotina, de explorar o ambiente e até mesmo de alguns momentos de tédio!
Uma dica legal é em algumas semanas antes das férias, guardar um pouco dos brinquedos no alto dos armários e colocá-los a vista de novo no tempo das férias, dá um gostinho de novidade!
Outro ponto é que não precisamos ser recreadores dos nossos filhos, nem devemos nos obrigar a planejar passeios incríveis! Claro que se você puder organizar um tempo nas férias para estar mais presente, fazer alguns passeios ao ar livre, um lanche no parque, na beira do lago, um futebol no campinho, nas quadras de areia, isso tem um valor imenso!
E vale o cuidado para as programações não serem tão intensas que vocês se mantenham na correria e na cobrança para não perder o horário!
E para quem viaja?
Deixamos aqui duas dicas!
Aproveite muito!!! Priorize curtir cada momento! Registro é bom, mas não faça dele o foco da viagem! Colecione momentos de conexão!
Perceba seus filhos – a depender da idade e da constituição de cada um, eles reagem à mudança de rotina e horários!
Se sentirem que estão muito desgastados, vale abrir mão de alguns roteiros e priorizar o descanso!
Às vezes menos é mais, faz valer a pena o passeio!
E no mais, curtam esse momento precioso em família!!
Boas Férias!!

Conheça Melhor quem Criou o Texto
Karina Stagliano de Campos
Psicanalista, psicóloga e mestra em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Karina Stagliano de Campos dedica sua trajetória ao estudo e à clínica da infância, da perinatalidade, da saúde da mulher e das primeiras relações entre bebês, crianças e suas famílias.
É membra associada da Escola de Psicanálise do Corpo Freudiano – Núcleo Londrina, especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein e em Clínica Interdisciplinar em Estimulação Precoce pelo Centro Lydia Coriat. Também é Educadora Parental certificada pela PDA — Positive Discipline Association.
Idealizadora e fundadora do Instituto Maternittà, é autora do livro “A mãe e o bebê prematuro: o que a Psicanálise tem a dizer?”, obra que traduz sua escuta sensível e rigorosa sobre os impasses da maternidade, da prematuridade e da constituição psíquica do bebê.
Com mais de 15 anos de experiência entre saúde pública, clínica particular, atendimentos institucionais e supervisão clínica, atua com foco em perinatalidade, saúde da mulher, intervenção precoce com bebês e crianças pequenas, Transtorno do Espectro Autista — TEA — e orientação parental.
Sua prática docente nasce da articulação entre teoria, clínica e transmissão: uma professora que ensina a partir da experiência viva da escuta, sustentando um percurso formativo profundo, sensível e comprometido com a singularidade de cada sujeito.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3416007986803371