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“Parentalidade Positiva: Navegando pelo Universo da Educação com um Novo Olhar”

“Parentalidade Positiva: Navegando pelo Universo da Educação com um Novo Olhar”

Texto escrito por Edilaine Baccarin Petenuci – Psicóloga, Psicanalista e Educadora Parental

Falar sobre Parentalidade Positiva é adentrar no universo de conhecimento sobre a parentalidade que abarca diversos autores e formas de olhar o desenvolvimento infantil. Entre os principais, destaco a teoria do apego, a disciplina positiva e a educação positiva.

Parto, para nossa conversa, da definição de parentalidade oferecida pelas psicanalistas Daniela, Thais e Vera, segundo as quais, a parentalidade é um

“tema que abrange a produção de discursos e as condições oferecidas pela geração anterior para que uma nova geração se constitua subjetivamente em uma determinada época. Isso implica considerar os sujeitos que se incumbem dessa tarefa no plano singular e o campo social que os enlaça” (TEPERMAN, GARRAFA, IACONELLI, 2021, p.7)

Essa definição por si, já abarca conceitos fundamentais no campo da parentalidade: transmissão, cultura, subjetividade!

A parentalidade que exercemos não é invenção nossa, mas fruto de uma transmissão transgeracional, à qual contribuímos com nosso jeito único de cuidar.

E por que positiva? Uma das grandes contribuições que o estudo do cérebro e das neurociências trouxe é o quanto o ambiente favorável para aprendizagens significativas é um ambiente onde a criança se sinta segura, respeitada e calma. Isso rompe com a ideia que tínhamos até então de que é preciso sofrer para aprender, que a criança quando castigada aprenderá!

E você pode até me dizer: mas Edilaine, aprende mesmo! Ao que respondo: aprende o que não fazer! Aprende a ter medo, a mentir, a esconder, a não se arriscar! Mas com isso deixa de aprender o que pode então fazer, deixa de desenvolver sua curiosidade, criatividade e resolução de problemas.

Mas ao pensar isso, podemos cair num erro comum que é o de entender o campo da Parentalidade Positiva como um manual que então dita aos pais o que é o correto a fazer. E não se trata disso!

Isso porque, nas relações com nossas crianças, percebemos que boa vontade não é suficiente! Somos frutos de nossas transmissões e o cuidado como nossos filhos muitas vezes no põe no limite: cansaço, fome, privação de sono.

Nessa hora já aprendemos também com a neurociência o quanto a consciência não conta! Nosso córtex pré-frontal desliga e vamos para luta ou para a fuga da situação – basta perceber o quanto os pais, muitas vezes, entram numa disputa de poder com um ser que tem 30 anos a menos!

Além disso, percebemos o quanto os pais, mesmo desejando entregar uma educação diferente, acabam reagindo e reproduzindo práticas parentais que vivenciaram. Shefali Tsabary nos convida inclusive a, diante de situações desafiadoras com nossos pequenos nos perguntarmos: “o que está em jogo ali: o comportamento da nossa criança, ou o quanto ele toca em nossas marcas!”

Lua Barros diz dessa fenda do tempo que se abre diante do cuidado com uma criança – onde estão presentes nosso passado e nossas marcas, a criança e si com suas necessidades, e o futuro enquanto receios e expectativas.

Acredito na potência de pensar a Parentalidade e nas possibilidades de diálogo entre Parentalidade Positiva e minha formação enquanto Psicanalista. Acredito, inclusive, que esse diálogo fortalece a parentalidade com um campo que não se proponha a trazer respostas prontas ou manuais, mas que seja um apoio ao pais diante de questionamentos que possam devolvê-los ao seu lugar – o lugar de desejar saber sobre seus filhos!

Vivemos um ponto de virada crucial no campo da parentalidade: cada vez exigimos mais dos pais, como foco e principais responsáveis pelas crianças, e ao mesmo tempo os diversos campos do saber destituem os pais de saber sobre suas crianças.

Somado a isso, temos uma transição dos modelos autoritários e violentos de cuidado e pais ainda tateando como educar diferente da transmissão que receberam!

Esses pais precisam de apoio! E muitas vezes o processo analítico demanda um tempo que a criança não tem! Porque cada mês, em se tratando do desenvolvimento infantil, é crucial, sobretudo na primeira infância!

Por isso, acredito que os profissionais que se abrem ao diálogo, em especial no campo da parentalidade, estão na vanguarda do nosso tempo e podem acolher os pais a partir de um outro lugar!

Referências

BARROS, L. Eu não nasci mãe: o que precisei desaprender para aprender a ser mãe. São Paulo: Editora Nacional, 2020.

TEPERMAN, D., GARRAFA, T., IACONELLI, V. Parentalidade. 1° ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.

TSABARY, S. Pais e mães conscientes: como transformar nossas vidas para empoderar nossos filhos. 1° ed. Rio de Janeiro: Bicicleta Amarela, 2017.

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