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Chega de Flores e Bombons: O Dia Internacional da Mulher e a Luta por Equidade Real

Chega de Flores e Bombons: O Dia Internacional da Mulher e a Luta por Equidade Real

Texto escrito por Karina Stagliano de Campos – Psicanalista, Psicóloga e Educadora Parental

8 de março. Um dia que deveria transcender datas comemorativas clichês, adornado com flores e bombons, e se tornar um marco de reflexão e ação contundente na busca por um mundo mais justo e equitativo para as mulheres.

Uma data que carrega em suas raízes a força e a luta de mulheres que ousaram desafiar um mundo desigual. Uma história de resistência e conquista que precisa ser lembrada e celebrada com ações concretas.

Um dia em que operárias têxteis em Petrogrado, na Rússia, tomaram as ruas em um protesto histórico contra as péssimas condições de trabalho e a fome que assolava o país. Essa greve, que deu início à Revolução Russa, marcou o nascimento do Dia Internacional da Mulher. Dia que só foi legalizado pela ONU em 1975.

Lacan já nos traz que A Mulher não existe, sendo que esse A é adornado com uma \ (barra ao contrário), justamente para deixar bem claro que não existe A Mulher, detentora e portadora de todos os fetiches e estereótipos do que é ser uma mulher.

Não há que desejar ter filhos, ou ser mãe ou engravidar para ser mulher. Não precisa ser magra, inteligente, saber costurar e cozinhar – como diziam os jornais antigamente. Não existe a necessidade de ter que dar conta de tudo que nos é imposto: casa, filhos, marido – (como se esse não fosse um adulto e capaz), carreira, sustento da prole.

Pois é, é isso que Lacan nos adverte, não existe esse imperativo, ou pelo menos não deveria existir no social, dizendo a todas o que é ou não ser mulher, como se a vida e o corpo de cada uma fosse domínio público.

Lacan ressalta: A mulher se constrói e se descobre UMA a UMA. Por isso esse A mulher não existe. Então, querida, pare de buscar um estereótipo imposto pela história e pelo patriarcado de que você dever ser de modo A, usar a roupa B etc.

Agora vamos refletir mais: qual a razão de entregar flores e bombons para as mulheres nesse dia e não pensar na sobrecarga mental materna e da invisibilidade feminina? Não só não pensar, mas também não agir.

A invisibilidade feminina se manifesta em diversos aspectos da vida social. Desde a desvalorização do trabalho doméstico e do cuidado com os filhos, até a sub-representação em cargos de liderança e a disparidade salarial em comparação aos homens, as mulheres lutam diariamente contra o apagamento de suas contribuições e capacidades.

As mães carregam sobre os ombros a responsabilidade desproporcional pelo cuidado da casa e dos filhos. A carga mental materna, muitas vezes ignorada, gera exaustão, ansiedade e depressão. A sociedade, em sua história, coloca que a responsabilidade com os cuidados com a casa e crianças são única e exclusivamente da mulher. Vamos analisar:

Um filho é do casal (quando esta mulher não está sem o companheiro ou, pior, está com ele, mas ele se faz de inexistente em casa); essa mulher já gestou, pariu, amamentou, ficou noites sem dormir etc.

O pai, que tem sua importância fundamental e preciosa, não pode dar banho, trocar fralda, escovar os dentes da criança, faze tarefa, levar ao médico etc.? Coisas que a mulher precisa sempre estar atenta.

O discurso machista e patriarcal faz com que os homens, aqueles que querem de fato ser pais, sintam-se menos “homens” por trocar fralda. Olhem só, quantos shoppings possuem banheiro masculino com trocador de fralda? Poucos começaram a colocar espaço baby ou da família.

Equidade. Uma palavra tão importante e tão desconsiderada. E a equidade de gênero vai além da igualdade. Diz da necessidade de levar em consideração as necessidades específicas de cada gênero. Por exemplo: um homem não precisaria de afastamento em virtude de uma endometriose. Ela é uma doença exclusivamente da mulher.

Apesar dos avanços conquistados, a busca por equidade de gênero ainda é uma luta constante. Nos dias de hoje, as mulheres ainda ganham menos que os homens para o mesmo trabalho, são sub-representadas em cargos de liderança e sofrem violência física e psicológica.

Então, a luta por equidade de gênero em todas as esferas sociais e familiares não se limita a um único dia do ano. É um compromisso constante que exige ações concretas em todos os âmbitos da sociedade. Nas empresas, precisamos de políticas que promovam a igualdade salarial e oportunidades de ascensão profissional.

Na política, a participação feminina precisa ser incentivada e fortalecida. Na educação, é fundamental combater estereótipos de gênero e promover a igualdade de oportunidades desde a infância. Na esfera familiar, é necessário dividir de forma justa as responsabilidades parentais e criar políticas públicas que ofereçam suporte às mães e favoreçam o exercício da paternidade pelos homens, quebrando esse paradigma posto e a importância do pai na vida cotidiana de uma criança.

Neste Dia Internacional da Mulher, convidamos a uma reflexão crítica sobre os papéis de gênero e a construção da identidade feminina, homenageamos todas as mulheres que, ao longo da história, abriram caminho para a conquista de direitos e lutaram por um mundo mais justo.

Portanto, mais do que discursos vazios de “guerreiras e parabéns”, mais do que flores e bombons, este dia deve ser um momento de reflexão e ação.

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